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domingo, 17 de abril de 2016

HOMENAGEM AO POETA LEONEL NEVES c/ bibliografia


Leonel Neves nasceu em Faro, em 1921, mas tem as suas raízes no Barlavento - Casa Alta (Aljezur) e Odeáxere. A continuação dos estudos levam-no a Lisboa, para cursar Matemática na Faculdade de Ciências e formar-se em Engenheiro Geógrafo. Frequenta a tertúlia do Café Chiado e convive, entre outros, com homens de letras como Sidónio Muralha, Eugénio de Andrade, Manuel da Fonseca e Alexandre Cabral. A sua actividade literária estende-se à Página Infantil do Diário Popular e inicia a sua carreira de letrista a pedido do acordeonista Anatólio Falé.
Colabora com o compositor e guitarrista João Bagão, na renovação do Fado de Coimbra, e escreve letras para a música do compositor e acordeonista António Mestre (também barlaventino), para serem cantadas por Amália Rodrigues.
As suas actividades profissionais levam-no a Moçambique e depois a Timor, em 1964, onde permanece dois anos e exerce as funções de Chefe do Serviço Meteorológico de Timor. Da experiência, resultará Memória de Timor-Leste. Regressado a Portugal, colabora no grupo de Luís Góis, fazendo letras para vinte e duas canções e publica Natural do Algarve. A Universidade do Algarve fez uma 2ª edição, em 1986. A partir de 1975, ensaia uma longa série de publicações de livros infanto-juvenis (muitos dos quais ilustrados por Tóssan). Em poesia, edita Ontem à Noite, onde fala de Lisboa. Morre, a 6 de Setembro, em Odeáxere. A 20 de Fevereiro, é postumamente lançado, em sessão no Salão Nobre do Teatro Nacional D. Maria ll, Memória de Timor-Leste.
Além duma vintena de livros infanto-juvenis, muitos deles em 2ª e 3ª edição, publicou, em poesia:
Janela Aberta, Edição do Autor, 1940.
Natural do Algarve, Guimarães Editores, 1968;
2ª edição, 1986, Universidade do Algarve.
O Tejo em Lisboa, (colectivo), Câmara Municipal de Lisboa, 1981.
O Algarve na Poesia, (colectivo), Universidade do Algarve, 1982.
Ontem à Noite, Livros Horizonte, 1989.
A Cal Cúbica, ed Universidade do Algarve
* A Cãmara Municipal de Lagos atibuiu-lhe o nome de uma rua.

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segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

PASSEIO DOS POETAS, INAUGURAÇÃO

........O meu poema, na íntegra:
 .
POEMA À ALFARROBEIRA
 .

Aqui, respiro a tranquilidade desta alfarrobeira
impassível às monções do tempo,
o tumulto das estrelas circulando.
 .
Ela desconhece o meu culto a estes lugares
esta sensação de entardecer as cinzas
no lugar das memórias,
e no entanto,
parece que entende o meu regresso comovido
na premunição de estar aqui
e aqui respirar a sua presença chã.
.
Deita sobre mim a sombra
do entendimento reencontrado
com folhas dóceis rumorejando raízes antigas
da inocência.
 -
Cala-me a voz
se ouço o mesmo pintassilgo incerto,
se vejo um traço de frescura na pele dolorida
do seu tronco,
um aroma vagaroso nas silvas
que debatem as leis da terra.
 .
A minha alfarrobeira aqui plantada
transporta-me a um passado urgente
de cenas inacabadas
idas em cinzas, em redemoinhos de ar
ao outro lado dos vestígios das aras primitivas,
a seiva rústica, primitiva, do meu sangue.
 .
 ...........................................
 -
O grande poeta Leonel Neves, já falecido, também ficou aqui perpetuado.
A representá-lo esteve sua filha, Ana Maria. 
E eu, seu primo, fui indigitado para ler o seu poema.
-


Ana Maria plantando a alfarrobeira de seu pai.
-
 Eis o excerto do poema, agora gravado em O PASSEIO DOS POETAS.
 
(…)
-
A amendoeira, de namorar…
Amante esplêndida, a figueira…
Mas moça séria, para casar.
……- a alfarrobeira!
.
(excerto)
.
.......................................................................................................

O Dr. Júlio Barroso (o segundo, na imagem), presidente da Câmara Municipal de Lagos.

  ..
Ao fundo e ao centro, Deodato Santos, promotor e organizador do evento.


A sessão está a terminar. A noite vem aí.
O evento encerrou com um concerto no Centro Cultural de Barão de São João, com notáveis interpretações em guitarra clássica, flauta e violoncelo, por Paulo Galvão, João Bandarra, Joaquim Galvão e Bruna Melia. 

-
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* Gravaram as lajes, Xico Roxo e Deodato Santos, a quem muito se agradece.
*As fotografias são de Filomena Carmo e Antonieta Pestana.