terça-feira, 25 de setembro de 2018

VELHO VENTO

                            
                                                                     Veja também  aqui 
                                                   novos poemas, na íntegra

domingo, 31 de dezembro de 2017

CELEBRAR A TERRA

 

Encetamos hoje um novo tipo de vídeos com poemas.
Esses vídeos são elaborados ao modo cinematográfico.
Desejo a todos um BOM ANO de 2018!

quarta-feira, 5 de abril de 2017

sábado, 4 de março de 2017

A Quaresma e o Carnaval

Não é meu habito postar prosa. Mas abro uma excepção.
O Carnaval já lá vai.... E, de tão triste que ele foi, na minha cidade, vieram-me à memória os carnavais da minha juventude. 
Aqui fica o texto.



O CARNAVAL E A QUARESMA 

Rigorosamente, segundo Bula Papal datada do ano 350 da Era Cristã, o período da Quaresma começa logo a seguir ao Carnaval, um segundo depois da meia-noite de Terça-Feira de Entrudo.
Mas, para a maior parte dos habitantes da pequena cidade, a determinação do papa Júlio I foi, há muito, relegada para o esquecimento.
Nesse tempo, os padres bem podiam vestir a paramenta roxa da quadra religiosa, mas ela não teria um verdadeiro sentido enquanto não se escoassem os restos festivos da festa pagã do corpo. E isso já era Quaresma adentro.
E foi assim que, naquele Entrudo de há cinquenta anos, o último baile daquela quadra carnavalesca, haveria de durar até já bem depois do nascer do sol! Aliás, como era costume naquela Sociedade Recreativa – a mais castiça, a mais genuína da cidade – o Marítimo!
À meia-noite – e certamente não para anunciar o princípio da abstinência, recolhimento e oração –, as luzes da sociedade apagaram-se e acenderam-se três vezes. Era sim, para a saída das "máscaras", ou seja, daquelas e daqueles que sem ser sócios do club, tinham acesso à sala de baile, desde que mascarados!
A partir daí, só era permitida a presença dos sócios e tudo teria a cara a descoberto, para a continuação da festança,
A porta de entrada foi fechada. Não era para ninguém entrar, mas sim, para ninguém sair! As janelas, essas, tinham as gelosias corridas… muito provavelmente para esconder a claridade do sol, quando ele viesse a nascer.
O conjunto "Os Merry Boys", muito popular na época, encetou a parte final do baile, com marchas, slows e tangos, tão do agrado dos mais velhos, já com a perna cansada.
E a cada nova série, os mancebos iam buscar as moças que se encontravam disponíveis.
Depois havia de tudo: o puro prazer da dança, ou as promessas de amor, a volúpia disfarçada e a luxúria possível, a coberto do tango ou dos slows, sob o olhar atento das mães e avós que se sentavam ao redor do recinto, não haver por ali algum desmando…
A noite avançava sem ninguém dar por isso. Percebia-se, sim, o cansaço que se via nos rostos, e a humidade que pairava no ar e se condensava nas vidraças, misturada com o aroma ácido do bom azeite desses tempos, que fritava postas de moreia, no bufete. Os homens tinham posto de lado o casaco e aberto o colarinho da inevitável gravata. As camisas colavam-se ao suor dos corpos. Os  únicos que não resistiram à hora tardia e ao cansaço, foram as crianças de tenra idade que dormiam profundamente no colo das mães ou avós.
Eram quase seis da manhã, quando começou o "baile mandado", mandado a preceito por um mandador de ocasião, que ensaiou as primeiras quadras, ao som da música, que começava a tornar-se frenética!

"Dá-lhe um toque mais acima
dá-lhe um toque mais abaixo,
dá-me a tua pintassilga
pra brincar com o meu cartaxo! "

E outras de idêntico sentido brejeiro e popular.
E foi então que alguém gritou:
 – O corridinho!... Vai tudo dançar o corridinho!
Mesmo as velhas saltaram dos lugares e algumas foram buscar os já meio-bêbados maridos que bebiam copos de vinho tinto e medronhos, no bufete!
Na sala de baile, os pares rodopiavam, ensaiando os passos e as correduras e "escovinhas" próprias da tradição e dos floreados do acordéon. Multiplicavam-se os encontrões e as pisadelas dos menos lestos, ou embriagados. A água de condensação começou a cair do tecto, em grossas gotas. Mas a pura alegria voltava aqueles rostos cansados. Festa é festa! Ninguém arredava pé.
Por fim, ao fim dum tempo, os pares foram rareando, esgotadas as forças dos mais velhos. Mas os resistentes não davam mostras de abrandar e muito menos desistir.
Até que, umas boas duas horas depois, o presidente da colectividade subiu ao palco, mal podendo respirar, escorrendo pingado, e anunciou em voz grave, mas contrafeita e entristecida
Prezados consócios. Com muita pena nossa, o baile tem de terminar. São quase nove e meia da manhã!...
E rematou, ofegante, suado até à medula:
Mai logo há matinè… as quatro da tarde!...

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

LAGOS RUA DIREITA

LAGOS RUA DIREITA

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.
Este videopoema faz parte do C.D. Lagos Ontem
lançado e apresentado pelo autor, 
na Feira do Livro de Autores de Lagos,
em Agosto último, no Armazém Regimental.

O poema está aqui 

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

domingo, 18 de dezembro de 2016

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

sábado, 3 de dezembro de 2016

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

terça-feira, 11 de outubro de 2016

LAGOS - CANÇÃO DE LAGOS



Este videopoema faz parte do CD - Lagos Ontem - 
que publiquei 
e apresentei na Feira do Livro de Autores de Lagos, 
em Agosto, no Armazém Regimental.

terça-feira, 9 de agosto de 2016

Lagos Ontem 2

LAGOS ONTEM 

Um outro vídeo do CD apresentado, 
na Feira de Livros de Autores de Lagos.

terça-feira, 26 de julho de 2016

ESTAS ÁGUAS


Este vídeo consta do CD a apresentar pelo autor,
na Feira do Livro de Autores de Lagos*

clicar youtube para écran maior
* A feira é inaugurada no dia 1 de Agosto, 
pelas 18 horas, no Armazém Regimental 
e estará patente ao púbico, das 18 às 24 horas, até ao dia 15,
com muita e variada animação cultural.

quinta-feira, 16 de junho de 2016

domingo, 22 de maio de 2016

domingo, 17 de abril de 2016

HOMENAGEM AO POETA LEONEL NEVES c/ bibliografia


Leonel Neves nasceu em Faro, em 1921, mas tem as suas raízes no Barlavento - Casa Alta (Aljezur) e Odeáxere. A continuação dos estudos levam-no a Lisboa, para cursar Matemática na Faculdade de Ciências e formar-se em Engenheiro Geógrafo. Frequenta a tertúlia do Café Chiado e convive, entre outros, com homens de letras como Sidónio Muralha, Eugénio de Andrade, Manuel da Fonseca e Alexandre Cabral. A sua actividade literária estende-se à Página Infantil do Diário Popular e inicia a sua carreira de letrista a pedido do acordeonista Anatólio Falé.
Colabora com o compositor e guitarrista João Bagão, na renovação do Fado de Coimbra, e escreve letras para a música do compositor e acordeonista António Mestre (também barlaventino), para serem cantadas por Amália Rodrigues.
As suas actividades profissionais levam-no a Moçambique e depois a Timor, em 1964, onde permanece dois anos e exerce as funções de Chefe do Serviço Meteorológico de Timor. Da experiência, resultará Memória de Timor-Leste. Regressado a Portugal, colabora no grupo de Luís Góis, fazendo letras para vinte e duas canções e publica Natural do Algarve. A Universidade do Algarve fez uma 2ª edição, em 1986. A partir de 1975, ensaia uma longa série de publicações de livros infanto-juvenis (muitos dos quais ilustrados por Tóssan). Em poesia, edita Ontem à Noite, onde fala de Lisboa. Morre, a 6 de Setembro, em Odeáxere. A 20 de Fevereiro, é postumamente lançado, em sessão no Salão Nobre do Teatro Nacional D. Maria ll, Memória de Timor-Leste.
Além duma vintena de livros infanto-juvenis, muitos deles em 2ª e 3ª edição, publicou, em poesia:
Janela Aberta, Edição do Autor, 1940.
Natural do Algarve, Guimarães Editores, 1968;
2ª edição, 1986, Universidade do Algarve.
O Tejo em Lisboa, (colectivo), Câmara Municipal de Lisboa, 1981.
O Algarve na Poesia, (colectivo), Universidade do Algarve, 1982.
Ontem à Noite, Livros Horizonte, 1989.
A Cal Cúbica, ed Universidade do Algarve
* A Cãmara Municipal de Lagos atibuiu-lhe o nome de uma rua.

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quarta-feira, 16 de março de 2016

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

sábado, 8 de agosto de 2015

CANTAI AINDA

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*
Este e outros videopoemas serão projectados, 
na próxima 4 ª feira, dia 12, pelas 21 h e 30, 
no ARMAZÉM REGIMENTAL, em Lagos,
no âmbito 6 ª Mostra de Livros 
de Autores de Lagos.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

4 POEMAS de NATAL


I - NATAL


A ideia de Natal é uma ideia em construção
uma casa comum de barro generoso
feito do sangue e da probabilidade duma cidade
cheia de luz, emergindo de obscuro impulso,
um promontório temível que despedaça as águas
impelidas por vento que vem do chão.

Evocar o Natal é uma ideia de harmonia
entre os naturais irmãos da terra,
o decurso duma semente que floresce
ao calor dum gesto sempre inacabado.  

Façamo-lo hoje ao cair da noite
para celebrar a vida, numa ideia de paz
para que o barro floresça em paz até ao fim.



II - NATAL


Vem das profundezas do fim das trevas
um caminho mítico para os exercícios da alegria
ali tão perto no barro ainda mole dos antigos.

Assim o pressentimos em fogos de encantamento
na enorme plenitude do orvalho das manhãs.

Talvez nos enredemos em ludíbrios ágeis
pela cerimónia de louvar a imagem virtual dum deus
no seu nicho distante negligenciando as vozes da planície
mas vale a pena tentarmos nós próprios a utopia
porque os deuses estão longe delidos noutros dilemas
noutras abstrações inatingíveis
porventura ainda mais utópicas que as nossas.

Diremos Natal como quem diz um bálsamo
ou um violoncelo tangendo um prelúdio chão
testemunho duma fogueira na água
e no pó do nosso destino também um murmúrio incerto
alheio à vontade transparente das estrelas.


III - UMA IDEIA DE NATAL


Uma ideia persiste no coração do mundo:
a imagem pura, a água limpa duma fonte
uma palavra chã, em seu natural anseio.

Por ela meditaremos em antiquíssimos relatos,
a viuvez dum musgo na fraga da montanha
ou o desterro para uma flor esfarrapada
tolhida em absurdos espectáculos de agonia.

E façamos do murmúrio um chão sadio
que floresça a urze do chão remoto,
o ofício da luz abrindo devagar a terra,
para os frutos indomáveis da alegria.

Os nossos dias também têm um sentido lato
superior às minguas às figuras de excesso
mais profundo que o mecanismo duma roda.

Por isso celebremos hoje a ideia de Natal,
para que seja um exercício repetido de louvor
à grandeza anónima irrepetível duma vida.



IV - NATAL DOS SEM-ABRIGO


Naquela noite fazia frio fazia pena
ver almas despedaçadas deitadas corpos entrouxados
dispersos nas calçadas luzidias do passeio das ruas.

Caía uma névoa fina que simulava chuva punhais
de raiva e resignação ou antes uma levada de mágoa
de murmúrios sem data sem fumo sem restos de cio
perdidos num mar de pedras nas calçadas da rua.

Era uma noite de claustros tambores rufando clamando
os clamores da vida a náusea descrente na boca sofrida
o granito fundido já duro das lutas perdidas
pisado nos ossos nos ombros nos olhos que olham
as coisas de fora nas coisas de dentro
e as noites nos dias e os búzios na praia sem vento
soprando as pedras do passeio da rua.

Doía a quem doía não fora a noite uma noite
de aprazimento em todas as aldeias da cidade
tempo de alegrias acepipes farturas alvarinho
em casas abastadas sobranceiras aos passeios da rua
o mais vago grave desígnio dum oráculo de plenitude
na inocência das crianças nas crenças na sentença
dos mecanismos que levam ao enternecimento
por ver a chuva a cair sobre corpos alheios
prostrados enrodilhados no manto do passeio das ruas.