segunda-feira, 29 de julho de 2013

1ª Mostra de videopoemas

O Autor agradece ao ZéTó, gerente do bar Lionheart, 
e a todos os amigos que quiseram assistir 
a esta 1º Mostra de videopoemas do autor, 
proporcionando um muito agradável (e diferente!) 
fim de tarde, em Lagos. 





segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

PASSEIO DOS POETAS, INAUGURAÇÃO

........O meu poema, na íntegra:
 .
POEMA À ALFARROBEIRA
 .

Aqui, respiro a tranquilidade desta alfarrobeira
impassível às monções do tempo,
o tumulto das estrelas circulando.
 .
Ela desconhece o meu culto a estes lugares
esta sensação de entardecer as cinzas
no lugar das memórias,
e no entanto,
parece que entende o meu regresso comovido
na premunição de estar aqui
e aqui respirar a sua presença chã.
.
Deita sobre mim a sombra
do entendimento reencontrado
com folhas dóceis rumorejando raízes antigas
da inocência.
 -
Cala-me a voz
se ouço o mesmo pintassilgo incerto,
se vejo um traço de frescura na pele dolorida
do seu tronco,
um aroma vagaroso nas silvas
que debatem as leis da terra.
 .
A minha alfarrobeira aqui plantada
transporta-me a um passado urgente
de cenas inacabadas
idas em cinzas, em redemoinhos de ar
ao outro lado dos vestígios das aras primitivas,
a seiva rústica, primitiva, do meu sangue.
 .
 ...........................................
 -
O grande poeta Leonel Neves, já falecido, também ficou aqui perpetuado.
A representá-lo esteve sua filha, Ana Maria. 
E eu, seu primo, fui indigitado para ler o seu poema.
-


Ana Maria plantando a alfarrobeira de seu pai.
-
 Eis o excerto do poema, agora gravado em O PASSEIO DOS POETAS.
 
(…)
-
A amendoeira, de namorar…
Amante esplêndida, a figueira…
Mas moça séria, para casar.
……- a alfarrobeira!
.
(excerto)
.
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O Dr. Júlio Barroso (o segundo, na imagem), presidente da Câmara Municipal de Lagos.

  ..
Ao fundo e ao centro, Deodato Santos, promotor e organizador do evento.


A sessão está a terminar. A noite vem aí.
O evento encerrou com um concerto no Centro Cultural de Barão de São João, com notáveis interpretações em guitarra clássica, flauta e violoncelo, por Paulo Galvão, João Bandarra, Joaquim Galvão e Bruna Melia. 

-
.
* Gravaram as lajes, Xico Roxo e Deodato Santos, a quem muito se agradece.
*As fotografias são de Filomena Carmo e Antonieta Pestana.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

25 de Abril de 2013

A COMISSÃO DE HONRA
em Correio de Lagos
Ao centro: General Ramalho Eanes (antigo Presidente da República) e Esposa.
O evento será promovido pelo Director do Correio de Lagos 
- Comendador Cândido Igrejas (ao centro).

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

LIVRO PROIBIDO



O meu livro de poesia “Os Sinais da Terra”, 
foi proibido pela Censura/Pide, em 1962, 
pouco tempo depois de ter saído. 


Vão fazer 50 anos, que a notícia me chegou às mãos, por um amigo, dono duma livraria.
Aqui se mostra o boletim enviado aos livreiros, dando conta da proibição.
O livro consta da obra “Livros Proibidos no Regime Fascista”, da autoria de Maria Luísa Alvim e está catalogado com o número 360.

clicar para melhor ler

quinta-feira, 21 de junho de 2012

sexta-feira, 6 de abril de 2012

CONTOS DE BARÃO

APONTAMENTO DE REPARTIÇÃO
.


Tinha perdido as últimas esperanças. Agora era um predestinado, como os outros. Tinha uma cadeira para sentar-se, uma secretária vertical, à frente, carimbos, papéis, mais papéis e a configuração rectangular da sala. O resto era igual a tudo o resto - paredes lisas e verticais, tecto horizontal do fumo dos cigarros com filtro, estantes polidas do roçar dos livros das coisas dos outros, luzes oblíquas, máquinas de calcular o tempo e, por cima de tudo, o inconcebível tempo.                                                  
Mas o que mais solenemente o aborrecia era estar entre coisas velhas, gastas - peças de repartição, das autênticas!...           
Pensou que o termo funcionário é duma lucidez espantosa.
Funcionário! - Dez, quinze, vinte, trinta anos, sentado, no mesmo lugar, às mesmas horas, a escrever os mesmos números!...
Na sala havia um velho relógio de parede, também peça de museu - reparou, quando, depois de receber as primeiras instruções do chefe, olhou à volta, numa tentativa de síntese rápida.                   
... E os outros também irremediáveis funcionários a aproveitar a oportunidade para pôr os braços em descanso, sob pretexto de curiosidade indefinida.                                  
... E as janelas, fechadas, fechadas por causa do frio e cortinadas por causa do sol.                            
... E o chão da sala em paralelipípedes de madeira castanha.
... E o relógio, subitamente, visto mais de longe, sem ponteiros!
Sentou-se no lugar que lhe indicaram e não desgostou. Era ao fundo da sala, escondido, bom ponto de observação. Por uma réstia de janela miraculosamente aberta podia até ver-se um céu azul e nuvens brancas em liberdade.                                       
Mas, de repente, a curiosidade dos outros, agora mais definida:
"Que habilitações tem? Tem o curso do Comércio? "                             
"Não, não... Tenho o curso do Liceu... "
"Ah, melhor... melhor!... Por que não concorre para aspirante? Concorra! Concorra! "
Vozes de todos os lados: "Concorra!... concorra!... "
rrr... rrr... 
Concorra, concorra!...
rrr... rrr...
De todos os lados: rrr... rrr...                                           
"Bem… eu... Talvez... " - Sentia-se um pouco confuso.
"Concorra, concorra!... "
 rrr... rrr... rrr...                                        
Nada feito.           
O relógio marcava cinco e vinte. "
Nunca mais chegava a hora de sair!                                            
E só quando olhou outra vez o relógio, é que notou que os ponteiros estavam parados.
Eternamente parados.
Eternamente parados, à espera das derradeiras cinco e meia que nunca mais viriam.