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quinta-feira, 25 de abril de 2013
quinta-feira, 18 de abril de 2013
terça-feira, 9 de abril de 2013
segunda-feira, 1 de abril de 2013
domingo, 17 de março de 2013
terça-feira, 26 de fevereiro de 2013
quarta-feira, 23 de janeiro de 2013
terça-feira, 15 de janeiro de 2013
domingo, 6 de janeiro de 2013
segunda-feira, 17 de dezembro de 2012
PASSEIO DOS POETAS, INAUGURAÇÃO
........O meu poema, na íntegra:
.
POEMA À ALFARROBEIRA
.
Aqui, respiro a tranquilidade desta
alfarrobeira
impassível às monções do tempo,
o tumulto das estrelas circulando.
.
Ela desconhece o meu culto a estes
lugares
esta sensação de entardecer as cinzas
no lugar das memórias,
e no entanto,
parece que entende o meu regresso
comovido
na premunição de estar aqui
e aqui respirar a sua presença chã.
.
Deita sobre mim a sombra
do entendimento reencontrado
com folhas dóceis rumorejando raízes
antigas
da inocência.
-
Cala-me a voz
se ouço o mesmo pintassilgo incerto,
se vejo um traço de frescura na pele
dolorida
do seu tronco,
um aroma vagaroso nas silvas
que debatem as leis da terra.
.
A minha alfarrobeira aqui plantada
transporta-me a um passado urgente
de cenas inacabadas
idas em cinzas, em redemoinhos de ar
ao outro lado dos vestígios das aras
primitivas,
a seiva rústica, primitiva, do meu
sangue.
.
...........................................
-
O grande poeta Leonel Neves, já falecido, também ficou aqui perpetuado.
A representá-lo esteve sua filha, Ana Maria.
E eu, seu primo, fui indigitado para ler o seu poema.
-E eu, seu primo, fui indigitado para ler o seu poema.
![]() |
| Ana Maria plantando a alfarrobeira de seu pai. |
Eis o excerto do poema, agora gravado em O PASSEIO DOS POETAS.
(…)
-
A
amendoeira, de namorar…
Amante
esplêndida, a figueira…
Mas moça
séria, para casar.
……- a
alfarrobeira!
.
(excerto)
.
.......................................................................................................
..
| O Dr. Júlio Barroso (o segundo, na imagem), presidente da Câmara Municipal de Lagos. |
![]() |
| Ao fundo e ao centro, Deodato Santos, promotor e organizador do evento. |
| A sessão está a terminar. A noite vem aí. |
O evento encerrou com um concerto no Centro Cultural
de Barão de São João, com notáveis interpretações em guitarra clássica, flauta e violoncelo, por Paulo Galvão,
João Bandarra, Joaquim Galvão e Bruna Melia.
.
*As fotografias são de Filomena Carmo e Antonieta Pestana.
sábado, 10 de novembro de 2012
quarta-feira, 10 de outubro de 2012
quarta-feira, 19 de setembro de 2012
25 de Abril de 2013
quinta-feira, 30 de agosto de 2012
LIVRO PROIBIDO
O
meu livro de poesia “Os Sinais da Terra”,
foi proibido pela
Censura/Pide, em 1962,
pouco tempo depois de ter saído.
Vão fazer 50 anos, que a notícia me chegou às mãos, por um amigo, dono
duma livraria.
segunda-feira, 16 de julho de 2012
terça-feira, 10 de julho de 2012
quinta-feira, 21 de junho de 2012
quarta-feira, 18 de abril de 2012
sexta-feira, 6 de abril de 2012
CONTOS DE BARÃO
APONTAMENTO DE REPARTIÇÃO
.
Tinha perdido as últimas esperanças.
Agora era um predestinado, como os outros. Tinha uma cadeira para sentar-se,
uma secretária vertical, à frente, carimbos, papéis, mais papéis e a
configuração rectangular da sala. O resto era igual a tudo o resto - paredes lisas e verticais, tecto horizontal do fumo
dos cigarros com filtro, estantes polidas do roçar dos livros das coisas dos
outros, luzes oblíquas, máquinas de calcular o tempo e, por cima de tudo, o
inconcebível tempo.
Mas o que mais solenemente o aborrecia
era estar entre coisas velhas, gastas - peças de repartição, das autênticas!...
Pensou que o termo funcionário é duma
lucidez espantosa.
Funcionário! - Dez, quinze, vinte, trinta anos, sentado, no mesmo
lugar, às mesmas horas, a escrever os mesmos números!...
Na sala havia um velho relógio de
parede, também peça de museu - reparou, quando, depois de receber as primeiras instruções do chefe,
olhou à volta, numa tentativa de síntese rápida.
... E os outros também irremediáveis funcionários a aproveitar a
oportunidade para pôr os braços em descanso, sob pretexto de curiosidade
indefinida.
... E as janelas, fechadas, fechadas por
causa do frio e cortinadas por causa do sol.
... E o chão da sala em paralelipípedes de
madeira castanha.
... E o relógio, subitamente, visto mais
de longe, sem ponteiros!
Sentou-se no lugar que lhe indicaram e
não desgostou. Era ao fundo da sala, escondido, bom ponto de observação. Por
uma réstia de janela miraculosamente aberta podia até ver-se um céu azul e
nuvens brancas em liberdade.
Mas, de repente, a curiosidade dos
outros, agora mais definida:
"Que habilitações tem? Tem o curso
do Comércio? "
"Não, não... Tenho o curso do Liceu...
"
"Ah, melhor... melhor!... Por que
não concorre para aspirante? Concorra! Concorra! "
Vozes de todos os lados: "Concorra!...
concorra!... "
rrr... rrr...
Concorra, concorra!...
rrr... rrr...
De todos os lados: rrr... rrr...
"Bem… eu... Talvez... " - Sentia-se um pouco confuso.
"Concorra, concorra!... "
rrr... rrr... rrr...
Nada feito.
O relógio marcava cinco e vinte. "
Nunca mais chegava a hora de sair!
E só quando olhou outra vez o relógio, é
que notou que os ponteiros estavam parados.
Eternamente parados.
Eternamente parados, à espera das
derradeiras cinco e meia que nunca mais viriam.
quinta-feira, 8 de março de 2012
O CARNAVAL E A QUARESMA
CARNAVAL
.
.
Rigorosamente, segundo Bula Papal datada do ano 350 da Era Cristã, o período da Quaresma começa logo a seguir ao Carnaval, um segundo depois da meia-noite de Terça-feira de Entrudo. Mas, entre nós, a determinação do papa Júlio I, há muito tempo que foi relegada para o esquecimento.
Os padres bem podem vestir a paramenta roxa da quadra religiosa, mas ela só adquire o seu verdadeiro sentido e efeito, quando se escoarem os restos festivos da festa pagã do corpo. E isso só virá a acontecer... Quaresma adentro!
E é assim que naquele Entrudo de há cinquenta anos, o último baile de Carnaval haveria de durar até já bem depois do nascer do sol!... Aliás, como era costume naquela Sociedade Recreativa – a mais castiça, a mais genuína da cidade – o Marítimo!
À meia-noite – e certamente não para anunciar o princípio da abstinência, recolhimento e oração –, as luzes da sociedade apagaram-se e acenderam-se três vezes. Era sim, para a saída das máscaras! A partir daí, só era permitida a presença dos sócios, e todos deveriam ter a cara a descoberto, para a continuação do baile.
A porta de entrada foi fechada. Não era para ninguém entrar, mas sim… para ninguém sair! As janelas, essas, tinham as gelosias corridas… muito provavelmente para esconder a claridade do sol, quando ele viesse.
A orquestra “Os Merry Boys”, muito popular na época, encetou a parte final do baile, com marchas, slows e tangos, tão do agrado dos mais velhos, já com a perna cansada.
E a cada nova série, os mancebos iam buscar as moças que se encontravam disponíveis, num cerimonial cortês, de grande galhardia e leveza.
Depois havia de tudo: o puro prazer da dança, ou as promessas de amor, a volúpia disfarçada e a luxúria possível a coberto do tango ou dos slows, sob o olhar atento das mães e avós que se sentavam ao redor do recinto, a espreitar qualquer indício de rebaldaria.
A noite avançava sem ninguém dar por isso. Percebia-se, sim, o cansaço que se via nos rostos, e a humidade que pairava no ar e se condensava nas vidraças, misturada com o aroma ácido do bom azeite desses tempos, a fritar postas de moreia, no bufete. Os homens tinham posto de lado o casaco e aberto o colarinho da inevitável gravata. As camisas colavam-se ao suor dos corpos.
Eram quase seis da manhã, quando começou o baile mandado, mandado a preceito por um mandador de ocasião, que ensaiou as primeiras quadras, ao som da música, que começava a ameaçar tornar-se frenética!
– Vai de roda! Vai de roda, sem parar!
.
Dá-lhe um toque mais acima
dá-lhe um toque mais abaixo
dá-me a tua pintassilga
pra brincar com o meu cartaxo!
.
Esta noite toda a noite
uma menina e mais eu
coitadinha não sabia
todo o trabalho foi meu!
.
Uma velha muita velha
foi mijar ao rocio
deu-lhe o vento na lòlinha...
até mijou de assobio!
,
E foi então que alguém gritou:
– O corridinho!... Vai tudo dançar o corridinho!
Mesmo as velhas saltaram dos lugares e algumas foram buscar os já meio-bêbados maridos que bebiam copos de vinho tinto e medronhos, no bufete!
Na sala de baile, os pares rodopiavam, ensaiando os passos, as "escovinhas" e as correduras próprias da tradição e dos floreados do acordéon. Multiplicavam-se os encontrões e as pisadelas dos menos lestos. A água de condensação começou a cair do tecto, em grossas gotas. Mas a pura alegria voltava aqueles rostos cansados. Festa é festa! E só no ano seguinte haveria outra igual.
Por fim, ao fim dum tempo, os pares foram rareando, esgotadas as forças dos mais velhos. Mas os resistentes não davam mostras de abrandar e muito menos desistir.
– Siga o baile!... – ouvia-se com frequência.
Até que, umas boas duas horas depois de ter começado a sucessão interminável de corridinhos, uns a seguir aos outros, o presidente da colectividade subiu ao palco, mal podendo respirar, e anunciou em voz grave, mas contrafeita e entristecida.
– Prezados consócios!... O baile tem de terminar. São quase nove e meia da manhã!...
E, após uma pequena pausa para recuperar o bafo, rematou, ofegante, suado até à medula:
– Mai logo há matinè... às quatro da tarde!...
Etiquetas:
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